Projeto Mantas do Brasil "A Arraia-Jamanta".

Arraia-Jamanta (Mobula birostris): Gigantes Gentis dos Oceanos e o Santuário na Laje de Santos


A Arraia-Jamanta (Mobula birostris, anteriormente Manta birostris) é uma das criaturas mais impressionantes que habitam os mares do nosso planeta. Conhecida internacionalmente como giant oceanic manta ray, essa espécie majestosa chama a atenção pelo tamanho colossal e pelo comportamento surpreendentemente dócil e curioso diante de mergulhadores.

Abaixo, você confere um guia completo sobre a biologia da jamanta, seus hábitos alimentares, os desafios de pesquisa em mar aberto e a importância vital da Laje de Santos para a conservação desses gigantes no Brasil.





Ficha Técnica da Arraia-Jamanta

  • Nome Científico: Mobula birostris (reclassificada do gênero Manta)
  • Nome Popular: Arraia-Jamanta, Manta-Gigante, Jamanta-Oceânica
  • Distribuição: Águas tropicais e subtropicais de todo o globo
  • Status de Conservação: Em Perigo (Lista Vermelha da IUCN)
  • Envergadura: Até 7 metros de uma nadadeira à outra
  • Peso: Pode ultrapassar 2 toneladas (2.000 kg)
  • Dieta: Planctívora (filtração de plâncton e micro-organismos)


Biologia e Anatomia: Um Gigante Filtradore e Dócil


Apesar de seu porte imponente, a arraia-jamanta é inofensiva para os seres humanos. Diferente de outras espécies de arraias de água doce ou de águas rasas, a jamanta não possui ferrão venenoso na cauda.

Alimentação e Dentição

A jamanta é um animal filtrador. Ela nada com a boca aberta, utilizando suas nadadeiras cefálicas (as "estruturas" ao lado da cabeça) para direcionar a água rica em zooplâncton para dentro da cavidade bucal.
  • Dentes Minúsculos: A espécie possui cerca de 5.000 dentes minúsculos, mas eles não são usados para mastigar peixes ou presas grandes. A dentição tem função primariamente social e reprodutiva.
  • Mecanismo de Filtração: A água capturada passa pelos arcos branquiais, que retêm o plâncton e expelem a água limpa pelas fendas branquiais inferiores.

Comportamento e Interação com Mergulhadores

Pesquisadores e mergulhadores que acompanham a espécie relatam uma inteligência notável — as jamantas possuem uma das maiores razões entre cérebro e corpo entre os peixes. Paula Romano, pesquisadora do Instituto Laje Viva, destaca que elas demonstram curiosidade genuína: "elas são dóceis, gostam de interagir e de sentir as bolhas de ar que os mergulhadores soltam".


O Desafio de Estudar Animais de Mar Aberto

Por ser uma espécie pelágica (de mar aberto) e altamente migratória, o rastreamento da Mobula birostris é uma das tarefas mais complexas da biologia marinha. Elas percorrem milhares de quilômetros em busca de zonas de alimentação e estações de limpeza, concentrando-se em poucos pontos do planeta.
  • Maior Concentração Mundial: Moçambique, na África Oriental, abriga uma das populações mais expressivas e estudadas de mantas oceânicas.
  • Mergulhos Profundos: A tecnologia de rastreamento via satélite revelou que, além de nadar na superfície, as jamantas realizam mergulhos profundos que superam os 800 metros de profundidade, provavelmente em busca de camadas densas de plâncton nas águas frias.


Laje de Santos: O Único Santuário das Jamantas no Brasil

No Brasil, a ocorrência regular da arraia-jamanta está concentrada em um ponto específico do litoral paulista: o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, localizado a cerca de 40 km da costa de Santos (SP).

Trata-se do terceiro melhor lugar do mundo para a observação da espécie, especialmente durante os meses de outono e inverno (entre maio e agosto), quando as correntes frias trazem uma grande fartura de nutrientes para a região.

                  [ Litoral de São Paulo ]
                             │
                      ~ 40 km de navegação
                             │
                             ▼
     [ Parque Estadual Marinho da Laje de Santos ]
   (Ponto de agregação e migração no inverno brasileiro)


O Projeto Mantas do Brasil e a Pesquisa Científica

Para proteger esses animais ameaçados pela pesca predatória acidental (bycatch) e pela poluição plástica, surgiu o Projeto Mantas do Brasil, mantido pelo Instituto Laje Viva.

Como Funciona a Telemetria Via Satélite

A coleta de dados sobre as rotas migratórias utiliza tecnologia avançada:
  • Fixação do Transmissor: Mergulhadores especializados fixam temporariamente um pequeno transmissor cilíndrico na nadadeira da arraia.
  • Monitoramento: O equipamento registra dados de temperatura, profundidade e deslocamento por cerca de 80 dias.
  • Desprendimento e Envio de Dados: Após o período programado, o cilindro se solta automaticamente, flutua até a superfície e transmite todo o histórico para os satélites de pesquisa.
Através do catálogo de fotoidentificação (que utiliza as manchas únicas da barriga de cada indivíduo, como uma "impressão digital"), mais de 70 jamantas já foram identificadas e catalogadas na Laje de Santos.



Importância para a Conservação e o Turismo Sustentável

A compilação de dados biológicos é fundamental para:

  • Criar políticas públicas de proteção às rotas migratórias no Atlântico Sul.

  • Promover o mergulho recreativo consciente, garantindo que o turismo de observação na Laje de Santos ocorra sem estressar os animais ou alterar seu comportamento natural.

Proteger a arraia-jamanta é preservar todo o ecossistema marinho ao qual ela pertence.

Se você deseja apoiar a conservação marinha ou saber mais sobre as expedições e trabalhos do Instituto Laje Viva e do Projeto Mantas do Brasil, acompanhe as iniciativas de preservação da Laje de Santos e ajude a divulgar a importância desses gigantes gentis.

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